A seguir,
palavras do crítico e professor alemão Anatol Rosenfeld,
que
chegou ao Brasil
fugindo do perigo nazista e aqui vivendo colaborou
sobremaneira para
os desenvolvimento dos estudos literários e teatrais
brasileiros:
"O teatro, longe
de ser apenas veículo da peça, instrumento a serviço
do
autor e da literatura,
é uma arte de próprio direito, em função da
qual é
escrita a peça.
Esta, em vez de servir-se do teatro é, ao contrário,
material dele.
O teatro a incorpora como um dos seus elementos. O teatro,
portanto, não
é literatura, nem veículo dela. É uma arte diversa
da
literatura.
O texto, a peça,
literatura enquanto meramente declamados, tornam-se teatro
no momento em
que são representados, no momento, portanto, em que os
declamadores,
através da metamorfose, se transformam em personagem, a
identificação
de um eu com outro eu - fato que marca a passagem de uma arte
puramente temporal
e auditiva (literatura) ao domínio de uma arte
espaço-temporal
ou audiovisual. O "status" da palavra modifica-se
radicalmente.
Na literatura são as palavras que mediam o mundo imaginário.
No teatro são
os atores/personagens (seres imaginários) que mediam a
palavra. Na literatura
a palavra é a fonte do homem (das personagens). No
teatro o homem
é a fonte da palavra."
Anatol Rosenfeld
(1912-1973)
"Teatro não
é instrumento a serviço da literatura",
palestra proferida
n´A Hebraica, em 3/9/1966.
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Na próxima
reflexão:
Jorge
Luis Borges - Especial
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